
Quando uma das pessoas do casal chega à conclusão que nada a mais há a fazer pela sua relação e o comunica à outra parte, pode esperar duas reacções diferentes: uma alívio (visto o outro sentir o mesmo) e a outra raiva, desespero e angústia, já que o outro não está disposto a aceitar.
É chegado o momento de encarar a nova situação: o divórcio, e gerir todos os sentimentos que daqui advêm. Se isto só por si é complicado, mais complicado se torna quando existem crianças!!!
Além de se ter de mudar de vida radicalmente,de deixar o que estava tão enraizado e era costume ter e fazer e ainda de gerir todos os sentimentos que a nova situação desponta, normalmente, a mãe, vê-se na “obrigação de decidir o que é melhor para os seus filhos.”

Colocam-se então agora as seguintes questões: “O que é melhor para os meus filhos?”, “Será melhor as crianças verem o pai só de 15 em 15 dias?”, “Será melhor as crianças perderem o contacto com a família do meu ex-marido?”, e muitas outras que aparecem num momento em que a dor, desespero e por vezes a vingança predominam.
Será que os pais quando decidem a organização do tempo dos seus filhos decidem o que é melhor para as crianças ou decidem o que é melhor para si próprios?
É necessário os pais terem a noção que se podem divorciar um do outro, mas nunca dos seus filhos. Estes não são um bem para partilhar, nem muito menos uma moeda de troca. É preciso os pais compreenderem, que para a criança, o ideal é ter os pais juntos, como esta situação não é possível, é necessário minorar os danos, e para tal a criança deve poder manter a sua família de origem, tendo o pai e a mãe quando deles precisar (e não só de 15 em 15 dias), mantendo assim a confiança e o amparo sentido anteriormente.
Os pais não devem pensar nos filhos como deles, mas sim como nossos filhos, pois é assim que a criança sente e pensa. É disto que a criança precisa para manter o seu equilíbrio físico, social e psicológico. As crianças valem o esforço da nossa entrega e da nossa calma!
Por: Drª Claudia Silva Pinto